A Polícia Civil do Rio de Janeiro indiciou nesta terça-feira (22) o rapper Oruam por associação com a facção criminosa Comando Vermelho. Segundo as investigações, ele e um grupo de amigos teriam impedido o cumprimento de um mandado de busca e apreensão contra um adolescente suspeito de roubos, conhecido como “Menor Piu”.
De acordo com o delegado Felipe Curi, secretário da Polícia Civil, Oruam responderá por seis crimes: tráfico de drogas, associação para o tráfico, lesão corporal, resistência qualificada, dano ao patrimônio público e desacato.
“Ele está sendo indiciado por ligação direta com o Comando Vermelho. Após o episódio, ele fugiu e se escondeu no Complexo da Penha, onde gravou um vídeo que funciona como uma confissão. Trata-se de um marginal faccionado que desafia as autoridades de segurança pública”, disse o delegado em entrevista ao Bom Dia Rio.
O caso teve início quando a Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE) recebeu a informação de que “Menor Piu”, de 17 anos e apontado como segurança pessoal do traficante Doca, estava na casa de Oruam. Doca, cujo nome verdadeiro é Edgar Alves de Andrade, é um dos chefes do Comando Vermelho e comanda o Complexo da Penha.
Com mandado de busca em mãos, os agentes aguardaram a saída do menor do imóvel. Ao ser abordado na rua, uma confusão foi iniciada, supostamente instigada por Oruam, que teria lançado pedras contra os policiais de sua varanda, ferindo um dos agentes e danificando uma viatura.
Durante o tumulto, o adolescente conseguiu escapar ao abrir a porta da picape onde estava detido. Os policiais entraram na casa, já em situação de flagrante, e um homem foi preso.
Após o ocorrido, Oruam publicou vídeos nos stories do Instagram, convocando motociclistas a irem até o local. Ele criticou duramente a ação policial e afirmou que foi abordado com violência.
“Tem mais de 20 viaturas na porta da minha casa. O mesmo delegado que me prendeu botou uma pistola na minha cara”, relatou no vídeo. Em outro trecho, ele diz: “Nós é filho de bandido! Tudo o que eu conquistei foi com minha música!”
Em uma selfie publicada posteriormente, Oruam confirmou estar escondido no Complexo da Penha e desafiou a polícia: “Eu quero ver você vir aqui me pegar dentro do complexo! Não vai me pegar, sabe por quê? Porque vocês peidam!”
Para o delegado Curi, os vídeos representam uma confissão clara de envolvimento com o crime organizado.
“Se havia dúvida se ele era apenas um artista da periferia, agora temos certeza de que se trata de um criminoso ligado ao Comando Vermelho. O pai dele, Marcinho VP, mesmo preso em um presídio federal fora do estado, continua influente na facção”, declarou.
A defesa de Oruam afirmou que ainda não teve acesso ao inquérito policial e, por isso, não irá se manifestar no momento.
O caso agora será encaminhado ao Ministério Público, que poderá apresentar denúncia à Justiça ou arquivar o inquérito, dependendo da análise das provas colhidas.
Quem é Oruam
Oruam é o nome artístico de Mauro Davi dos Santos Nepomuceno — “Mauro” ao contrário. Ele é filho de Marcinho VP, um dos principais líderes do Comando Vermelho, condenado por assassinato, formação de quadrilha e tráfico de drogas. O rapper possui tatuagens em homenagem ao pai e a Elias Maluco, outro traficante condenado, responsável pelo assassinato do jornalista Tim Lopes.
Mesmo sob críticas e polêmicas — incluindo desentendimentos públicos e cancelamentos de shows —, Oruam alcançou o topo das paradas com músicas que fazem sucesso principalmente entre o público jovem e periférico.
Fonte: G1