Um bebê recém-nascido sofreu queimaduras no pé poucas horas após nascer no Hospital Estadual Dr. Jayme Santos Neves, na Serra, Região Metropolitana da Grande Vitória. O caso aconteceu no último dia 19 de agosto e gerou forte comoção após a mãe, Sara Peisino Barboza, relatar a situação em suas redes sociais.
Segundo o relato, José nasceu saudável às 6h da manhã, de parto normal, após a mãe ser internada por complicações de pressão alta. Algumas horas depois, a equipe médica levou o bebê para o berço aquecido, já que sua temperatura corporal estava em 36,2°C, abaixo do ideal de 36,5°C.

A família afirma que, nesse momento, uma enfermeira teria aquecido um pedaço de algodão em uma lâmina metálica e colocado o material dentro da meia do bebê. Pouco depois, o menino começou a chorar intensamente e um cheiro forte de queimado se espalhou pelo ambiente. Ao verificar a roupa do neto, a avó percebeu que o macacão havia mudado de cor e, ao retirá-lo, constatou que o pé esquerdo do recém-nascido estava gravemente queimado.

“Meu filho nasceu perfeito e saudável, e em questão de horas teve a vida prejudicada por um descaso terrível. Se minha mãe não tivesse percebido, poderia ter acontecido o pior”, desabafou Sara.
Estado de saúde
José foi transferido para a UTI Neonatal do Hospital Infantil de Vitória, onde passou por uma cirurgia plástica no último dia 22 para retirada da pele necrosada. O procedimento foi considerado bem-sucedido, e os médicos informaram que o bebê não corre risco de morte. Uma nova cirurgia está prevista para os próximos dias para avaliar a extensão da queimadura e dar continuidade ao tratamento.
Investigações em andamento
O caso está sendo apurado por diferentes órgãos. O Ministério Público do Espírito Santo instaurou procedimento para investigar as circunstâncias do acidente e solicitou informações à administração do hospital. O Conselho Regional de Enfermagem (Coren-ES) também acompanha a ocorrência e esclareceu que não existe nenhum protocolo que recomende o uso de algodão aquecido em recém-nascidos.
A Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) informou que determinou o afastamento preventivo dos profissionais envolvidos e instaurou auditoria interna para apurar responsabilidades. Já a Polícia Civil abriu investigação por meio da Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA), que conduz o caso sob sigilo.
Nota oficial do hospital
Em comunicado, o Hospital Estadual Dr. Jayme Santos Neves manifestou “profundo pesar” pelo ocorrido e solidariedade à família da criança. A direção afirmou que instaurou procedimento administrativo para apurar os fatos e que tomará todas as medidas cabíveis.
Repercussão
O caso tem gerado ampla repercussão nas redes sociais e em veículos de comunicação do Espírito Santo. Internautas manifestaram indignação com a situação e cobraram responsabilização dos envolvidos. Enquanto isso, a família segue acompanhando o tratamento de José, que permanece internado.