O Governo do Rio Grande do Norte vai lançar nesta sexta-feira (1º) um pacote de medidas para tentar reduzir os impactos do tarifaço de 50% imposto pelos Estados Unidos a produtos brasileiros. A medida, anunciada pelo governo de Donald Trump, entra em vigor na próxima quarta-feira (6) e atinge diretamente oito dos dez principais produtos potiguares exportados aos EUA no primeiro semestre de 2025.
Segundo a Federação das Indústrias do RN (Fiern), a perda estimada nas exportações pode variar entre R$ 70 milhões e R$ 100 milhões por ano, com até 4 mil empregos em risco.
De janeiro a junho deste ano, o RN exportou US$ 67,1 milhões para os EUA — sendo US$ 58,1 milhões apenas com os dez principais produtos. Quase metade desse valor (48,1%) será afetada pela nova tarifa.
Frente a esse cenário, o Governo do Estado afirmou, em nota, que está atuando em conjunto com o Governo Federal para buscar saídas diplomáticas e institucionais que ajudem a preservar a competitividade dos produtos potiguares no mercado internacional.
O pacote de ações será apresentado aos setores mais prejudicados e deve incluir benefícios fiscais e apoio financeiro. Empresas já cadastradas no Proedi (Programa de Estímulo ao Desenvolvimento Industrial) poderão ter isenções ampliadas. Também está previsto um mecanismo para antecipar créditos ligados à exportação, permitindo às empresas maior fôlego de caixa.
Alan Silveira, secretário de Desenvolvimento Econômico do RN, reforçou que o objetivo é dar suporte rápido aos setores atingidos, mas ainda não revelou todos os detalhes.
O presidente da Fiern, Roberto Serquiz, afirmou que ainda acredita em uma possível reversão da medida pelos Estados Unidos. Enquanto isso não acontece, o setor produtivo já estuda alternativas para mitigar os danos. “É um momento delicado. A indústria quer preservar os empregos, mas se a situação se mantiver, ajustes serão inevitáveis”, afirmou.
Setor pesqueiro é o mais atingido
Com 80% de sua produção voltada ao mercado norte-americano, o setor pesqueiro será o mais prejudicado. O Sindipesca vai solicitar ao Governo do Estado a isenção total do ICMS sobre o combustível das embarcações até o fim do ano.
“A gente não tem alternativa de novos mercados. Competições com países asiáticos e oceânicos, além das barreiras na Europa, nos limitam. Precisamos dessa ajuda para continuar operando”, explicou Arimar Filho, presidente do sindicato.
Doces, sal e reciclagem também sentem o baque
O setor de confeitos, como pirulitos e caramelos, também será fortemente atingido, com 70% da produção voltada aos EUA. Já o setor salineiro exporta mais de meio milhão de toneladas por ano ao mercado americano e teme não conseguir manter o volume com a nova taxação.
“A logística para outros mercados é cara e o sal tem baixo valor agregado. Estamos praticamente presos aos EUA nesse momento”, comentou Aírton Torres, do sindicato da indústria salineira (Siesal), que estima que até 4 mil empregos estejam em risco.
Na área de reciclagem, cerca de 30% da produção é exportada para os EUA. O setor tenta redirecionar suas vendas para novos mercados, mas admite que o desafio será grande.
Fruticultura quer crédito emergencial
Na fruticultura, o impacto previsto chega a R$ 100 milhões por ano. A Faern (Federação da Agricultura e Pecuária do RN) propôs um crédito emergencial para produtores manterem contratos de trabalho, além da ampliação de compras públicas de frutas para merendas escolares.
José Vieira, presidente da Faern, também propõe a criação de uma frente interestadual com outros estados do semiárido nordestino para fortalecer o setor na defesa dos interesses comuns.
A projeção do Comitê Executivo de Fruticultura é de que 1,5 mil postos de trabalho sejam fechados, afetando diretamente municípios como Mossoró, Baraúna e Apodi, onde a fruticultura representa até 40% da economia.
Exportações potiguares mais afetadas (1º semestre de 2025)
- Óleo combustível – US$ 23,9 milhões (não será afetado)
- Outros produtos de origem animal – US$ 10,3 milhões
- Albacoras frescas – US$ 4,7 milhões
- Caramelos e confeitos – US$ 4,1 milhões
- Sal marinho – US$ 3,3 milhões
- Atuns diversos – US$ 3,2 milhões
- Granitos – US$ 2,6 milhões
- Açúcar de cana – US$ 2,1 milhões
- Peixes congelados – US$ 2 milhões
- Castanha de caju – US$ 1,9 milhão (não será afetada)
Total exportado com produtos afetados: US$ 32,3 milhões
Fonte: Tribuna do Norte