Natal (RN) – Após enfrentar problemas de falta de médicos na rede municipal de saúde desde o início de setembro, a Prefeitura de Natal anunciou nesta quinta-feira (11) que as escalas estão normalizadas. O prefeito Paulinho Freire (UB) e o secretário municipal de Saúde, Geraldo Pinho, garantiram que todas as Unidades de Pronto-Atendimento (UPAs) e hospitais municipais contam com cobertura completa de profissionais.
As dificuldades começaram no dia 1º de setembro, quando terminou o contrato com a Coomed e o serviço passou a ser prestado pelas empresas Justiz e Proseg, vencedoras da licitação da Prefeitura para fornecimento de médicos terceirizados. Segundo a gestão, em menos de dez dias o quadro foi regularizado.
Durante visita à UPA de Cidade da Esperança, o prefeito afirmou que a rede já mostra avanços.
“Estamos com 10 médicos aqui, dois a mais do que o previsto. As escalas estão completas em todas as UPAs”, disse Paulinho Freire.
O secretário Geraldo Pinho reforçou que o tempo de espera caiu de seis horas para cerca de 60 minutos e que a superlotação foi reduzida pela metade. “No Hospital dos Pescadores as filas foram zeradas em vários turnos. No Centro Clínico José Carlos Passos, onde chegou a faltar cardiologista, a situação também foi normalizada”, afirmou.
Divergências nos relatos
Apesar do otimismo da Prefeitura, pacientes relataram experiências distintas. Enquanto alguns notaram agilidade na triagem, outros afirmaram que a demora no atendimento permanece. O diretor da UPA de Cidade da Esperança, Ricardo Pinto, avaliou que houve “melhoria no fluxo” e redução das reclamações.
Já o presidente do Sindicato dos Médicos do RN (Sinmed), Geraldo Ferreira, contestou as informações oficiais. De Brasília, onde cumpre agenda, ele afirmou que ainda existem escalas incompletas, com médicos acumulando funções em diferentes setores.
“As escalas de pediatria são cobertas por outros profissionais, o mesmo ocorre em UTIs, onde não há intensivistas. Nas maternidades, cirurgiões gerais estão assumindo a função de obstetras”, denunciou.
OSS sob impasse judicial
Paralelamente, outro ponto em debate na rede de saúde é a terceirização da gestão das quatro UPAs por meio de Organizações Sociais de Saúde (OSS). Na segunda-feira (8), a Justiça determinou a suspensão dos editais lançados pela Prefeitura, alegando falta de clareza e de dados objetivos nos estudos que embasaram a decisão.
O prefeito Paulinho Freire disse que a própria gestão decidiu suspender o processo para ajustar os critérios com o Tribunal de Contas do Estado (TCE-RN). O secretário Geraldo Pinho confirmou o diálogo com o Ministério Público de Contas e o TCE, mas não deu prazo para retomada do cronograma.
“Tenho esperança de que um entendimento será construído para avançarmos na implementação da gestão por OSS, mas ainda não há prazo definido”, declarou.
Fonte: Tribuna do Norte