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Saúde em colapso: briga entre Prefeitura, cooperativas e empresas deixa pacientes sem atendimento em Natal

A novela da saúde pública em Natal ganhou novos capítulos e quem paga a conta é a população. A disputa judicial e administrativa entre a Prefeitura, cooperativas médicas e empresas privadas deixou hospitais e UPAs com escalas furadas, cirurgias suspensas e pacientes à deriva.

No Hospital Infantil Varela Santiago, referência no atendimento pediátrico, crianças aguardavam cirurgia nesta terça-feira (02), mas tiveram que voltar para casa sem o procedimento. Já a Liga Contra o Câncer anunciou que, a partir desta quarta (03), suspenderá atendimentos ambulatoriais. Cirurgias só continuam até sábado (06); depois, apenas casos de urgência oncológica serão realizados.

E não para por aí: unidades básicas de saúde e UPAs também tiveram escalas incompletas, comprometendo até atendimentos de urgência.

O que está por trás da crise

A Prefeitura rompeu com a Coopmed-RN, que há anos fornecia médicos, e contratou emergencialmente — sem licitação — as empresas Justiz Terceirização e Proseg Consultoria. A medida virou alvo de disputa na Justiça: em 1ª instância os contratos foram suspensos, mas o Tribunal de Justiça liberou a continuidade. Coopmed e Sinmed-RN alegam falta de transparência e “contratos direcionados”. A Prefeitura rebate acusando as entidades de boicote para sabotar as novas empresas.

Troca de acusações

O secretário de Saúde, Geraldo Pinho, afirma que médicos foram coagidos pela Coopmed e pelo sindicato a não trabalharem com as novas contratadas. Já o presidente do Sinmed, Geraldo Ferreira, devolve a acusação: diz que a coação vem da própria gestão e das empresas escolhidas sem concorrência.

Quem sofre de verdade

Varela Santiago: suspensão de cirurgias eletivas. Liga Contra o Câncer: consultas suspensas; risco de parar procedimentos oncológicos. UBSs e UPAs: falta de médicos e atendimento precário.

Enquanto Prefeitura, cooperativas e empresas brigam na Justiça, pacientes — inclusive crianças e pessoas com câncer — ficam à mercê de decisões administrativas e disputas políticas. Uma crise que, mais do que jurídica, é humanitária.

Fonte: Tribuna do Norte

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