A Justiça potiguar soou o alarme: o sistema de saúde do Rio Grande do Norte está em “colapso progressivo”. A queda brutal de 68% nos gastos do Estado no setor, registrada no primeiro semestre de 2025, acendeu a luz vermelha. O governo pagou apenas R$ 314,7 milhões, contra quase R$ 1 bilhão no mesmo período de 2024.
Com hospitais sem insumos básicos e até familiares de pacientes comprando remédios, a juíza Maria Cristina Menezes de Paiva Viana determinou que o governo entregue, em até 15 dias, um relatório completo sobre a real situação da rede, incluindo lista de medicamentos em falta, percentual de abastecimento, custos para recomposição de estoques e um plano emergencial para os próximos três meses.
Caso não cumpra, o governo pode sofrer suspensão de pagamentos não essenciais e até multas pessoais a gestores.
Hospitais à beira do caos
O retrato é desolador:
Walfredo Gurgel: dívida de R$ 11 milhões; falta até de luvas e álcool. Hospital Santa Catarina: 41% de ruptura de estoque em janeiro. Hospital João Machado: bloqueou leitos por não ter condições mínimas. Maria Alice Fernandes: fechou sete leitos de UTI neonatal e pediátrica. Hemonorte: recebeu apenas 9 dos 41 itens solicitados, dependendo de empréstimos de outros estados.
A ausência de antibióticos, anestésicos e ventiladores aumenta riscos de morte, prolonga internações e multiplica infecções hospitalares.
Governo acuado
A Sesap reconhece os cortes, mas diz estar “recompondo estoques” com monitoramento diário e compras emergenciais. Já a Secretaria da Fazenda, apontada como pivô do problema ao reter R$ 141 milhões, simplesmente se calou.
Enquanto a saúde agoniza, o RN amarga a penúltima colocação nacional em gastos próprios no setor. No Nordeste, ocupa a lanterninha. A conta chega para quem não tem culpa: pacientes sem atendimento digno. Parece que, no governo, o remédio é sempre o mesmo — promessa. Enquanto isso, os hospitais seguem com a receita do fracasso: dívida, burocracia e sofrimento.
Fonte: Tribuna do Norte