Prestes a enfrentar mais um período de estiagem, o Rio Grande do Norte ainda vive um cenário preocupante: 67 municípios seguem dependendo de carros-pipa para garantir o abastecimento de água potável para mais de 79 mil moradores, segundo dados atualizados da Defesa Civil Estadual.
Mesmo com o anúncio de grandes obras e projetos nos últimos anos para minimizar os efeitos da seca, a realidade ainda é de caminhões levando água até comunidades inteiras. Enquanto isso, os reservatórios do estado operam com apenas 48% da capacidade total, conforme o Instituto de Gestão das Águas (Igarn).
Entre 2019 e 2025, o Governo do Estado anunciou projetos de adutoras totalizando 1.289 km, mas até agora apenas 159 km foram entregues. Outros 274 km estão em fase de licitação e 856 km seguem em construção. O ritmo lento agrava o problema, especialmente nas regiões mais secas.
No Seridó, por exemplo, os reservatórios operam com apenas 17% da capacidade — a pior média hídrica do estado. Das 11 barragens em situação crítica, três estão praticamente secas: Passagem das Traíras (0,03%), Itans (0,43%) e Mundo Novo (2,39%).
Uma possível melhora poderá vir a partir de agosto, com a chegada da água da transposição do Rio São Francisco à Barragem de Oiticica, no Seridó. O estado receberá três metros cúbicos por segundo, sem custos, por um período de três anos — totalizando 300 milhões de m³ de água.
A Barragem de Oiticica, inaugurada em março, tem capacidade para 742 milhões de m³, mas acumula hoje apenas 13,9% do volume total.
Investimentos prometidos
Entre os projetos em execução estão:
- Adutora do Agreste: inicia obras físicas em agosto e promete atender 38 municípios e 510 mil habitantes. O orçamento previsto é de R$ 468 milhões.
- Projeto Seridó Norte: com R$ 300 milhões garantidos via Novo PAC, levará água da Armando Ribeiro para cidades do Seridó. Conclusão esperada entre fim de 2025 e início de 2026.
- Perfuração de poços: o governo prevê 500 poços até abril de 2026; apenas 53 foram entregues até agora.
- Recuperação de barragens: 15 estruturas em reforma, com investimento de R$ 18,2 milhões. O governo promete entregar todas até o fim de julho.
Chuvas abaixo da média
Segundo a Emparn, entre março e maio de 2025 choveu 252 mm, quando o esperado era 382 mm. A redução de 42% em relação a 2024 confirma o agravamento da seca.
Com adutoras inacabadas e poços insuficientes, o Estado mantém 212 carros-pipa em operação para abastecer 67 municípios. É uma solução emergencial que persiste como rotina em pleno 2025, revelando a distância entre os anúncios do governo e a realidade enfrentada por milhares de potiguares.