Design sem nome (5)

Sem bolsas de colostomia na rede pública, moradora de Natal usa sacos plásticos improvisados

Moradores de Natal que dependem de bolsas de colostomia estão vivendo um drama. Com a falta do insumo na rede pública de saúde, muitos pacientes estão tendo que improvisar — como é o caso da dona de casa Leila Tavares, que passou a usar sacos plásticos, como aqueles de padaria, para substituir a bolsa que deveria ser fornecida pelo SUS.

Leila precisou fazer colostomia após uma infecção intestinal e, agora, enfrenta outro problema: a antiga bolsa que usava não serve mais, e a rede pública não tem disponível o modelo que ela precisa. Sem condições financeiras de bancar o material por conta própria, ela comprou um pacote com 100 sacos plásticos para usar no lugar da bolsa.

“É complicado porque eu posso pegar uma bactéria. E quem vai arcar com isso? Tem colegas na mesma situação. Tem bolsa para uns, mas falta para outros”, desabafa.

Por medo de infecção e desconforto constante, ela quase não sai mais de casa. “Machuca, dói, incomoda. A gente não leva uma vida normal. Somos seres humanos, pagamos nossos impostos. Só queremos dignidade.”

Na manhã desta segunda-feira (9), pacientes como Leila protestaram em frente ao Centro Estadual de Reabilitação (CRI-RN), em Natal, cobrando uma solução do governo.

Segundo eles, a falta do material começou em abril. Já a Secretaria Estadual de Saúde (Sesap) afirmou que as bolsas foram entregues normalmente naquele mês, mas que houve falta de alguns modelos a partir de maio. A pasta informou que está finalizando um novo processo de compra para retomar as entregas o quanto antes.

Custo alto pesa no bolso

Outro paciente que sofre com o desabastecimento é o operador de caixa Daniel Carlos. Ele usa bolsa de colostomia há três anos, após uma infecção grave, e desde que parou de receber o material do SUS, tem tido que comprar por conta própria.

“O pacote mais barato custa R$ 520 e dura só um mês. É difícil, preocupante, até aterrorizante. Alguns ainda conseguem se virar, outros não. A gente vai se ajudando com doações”, contou.

Enquanto esperam por uma solução, muitos pacientes seguem se virando como podem — enfrentando não só os desafios físicos e emocionais da condição, mas também o peso do descaso.

Fonte: G1

Compartilhe esse texto nas suas redes sociais: