A Avenida da Alegria ficou lotada. Mais de 180 mil pessoas, trios elétricos, estrutura reforçada e grandes atrações nacionais. A prévia do Carnaval de Natal foi um sucesso de público.
Mas a pergunta fora do palco é simples: sucesso para quem?
Enquanto a festa avançava madrugada adentro, moradores da cidade seguiam enfrentando a velha rotina: UPAs lotadas, hospital municipal fechado, bairros alagados a cada chuva, lagoas de captação transbordando e famílias perdendo móveis dentro de casa.
Ainda assim, a prioridade orçamentária apareceu clara no cachê das atrações.
Só o cantor Wesley Safadão custou R$ 1,2 milhão aos cofres públicos.
Dinheiro suficiente para reforçar equipes de saúde, ampliar atendimento emergencial, investir em drenagem urbana ou melhorar a segurança em áreas críticas da cidade.
Eventos culturais movimentam o turismo, geram renda para ambulantes e aquecem a economia local. Isso é fato.
Mas também é fato que não faz sentido investir milhões em festas enquanto falta o básico no dia a dia da população.
Sempre surge o mesmo argumento: o recurso seria “carimbado” e não poderia ser usado em outras áreas.
Mas, no fim das contas, o dinheiro sai do mesmo bolso: o nosso.
Seja para show, saúde ou drenagem, é imposto pago pelo cidadão.
E escolha política sempre existe.
Destinar milhões para cachês artísticos enquanto serviços essenciais pedem socorro é, sim, uma decisão de prioridade.
A Redinha lotada pode render belas fotos e vídeos nas redes sociais.
Dá visibilidade. Dá palco. Dá voto.
Hospital funcionando bem, drenagem resolvida e posto de saúde equipado não viralizam.
Talvez por isso continuem ficando para depois.
O Carnaval passa.
Os problemas da cidade ficam.