O Sindicato dos Médicos do RN (Sinmed-RN) bateu à porta do Conselho Regional de Medicina (Cremern) nesta quarta-feira (3), cobrando fiscalização na rede municipal de saúde de Natal por falta de profissionais. A denúncia, feita pelo vice-presidente da entidade, Francisco das Chagas, cita maternidades e UPAs em situação crítica, com número reduzido de médicos, casos que, de fato, colocam a população em risco.
Até aí, tudo bem. O problema é quando o discurso bonito não combina com os bastidores. O próprio presidente do sindicato, Geraldo Ferreira, é fundador da Coopmed RN, antiga responsável pela escala de médicos da rede de 2104 ate 2025. A cooperativa perdeu a disputa em licitação emergencial e, desde então, novas empresas assumiram a gestão de três UPAs. Só que relatos de profissionais indicam que a Coopmed, estaria pressionando médicos para não assinarem contratos com as novas gestoras.
Ou seja: na frente, falam em “defesa da saúde pública de qualidade”. Por trás, jogam pesado para manter monopólio no mercado, ainda que isso signifique deixar a população sem atendimento. Isso não é sindicalismo, é chantagem corporativista.
A prefeitura e a Secretaria de Saúde ainda não se pronunciaram, mas o Cremern deverá analisar o pedido. Tomara que, além de fiscalizar as unidades, também olhe para os métodos nada éticos usados por quem se apresenta como guardião da categoria médica. Porque cobrar qualidade na saúde é essencial, mas usar a vida da população como moeda de pressão é criminoso.
Quando sindicato e cooperativa confundem interesses da categoria com negócios próprios, quem sofre é sempre o povo na fila da UPA.
