A nova tarifa de 50% sobre produtos brasileiros, anunciada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na quarta-feira (9), acendeu o alerta vermelho no setor produtivo do Rio Grande do Norte. Produtos como atum, sal, petróleo e frutas — pilares das exportações potiguares — podem se tornar inviáveis no mercado americano caso a medida entre em vigor em agosto.
Na quinta-feira (10), representantes de entidades do setor produtivo e do Governo do Estado se manifestaram preocupados. Eles alertam que a decisão afeta diretamente investimentos, competitividade, empregos e pode paralisar exportações em segmentos estratégicos.
Segundo o Observatório Mais RN, da Federação das Indústrias (Fiern), as exportações do estado para os EUA cresceram 120% no primeiro semestre de 2025, somando US$ 67,1 milhões contra US$ 30,5 milhões no mesmo período de 2024.
Para o presidente da Fiern, Roberto Serquiz, o impacto sobre o petróleo é especialmente preocupante. O setor representa 45% do PIB industrial do RN e viu as vendas para os EUA saltarem de US$ 4 milhões no 1º semestre de 2024 para US$ 24 milhões no mesmo período deste ano.
“O petróleo lidera nossa balança comercial. Além disso, o atum, que tem 100% das vendas para os EUA, perderá toda competitividade. O sal também fica inviável. É um cenário grave”, afirmou Serquiz.
O presidente do Sindipesca-RN, Arimar Filho, confirmou que o setor já está antecipando embarques para os EUA, temendo a taxação. “Nosso peixe é totalmente voltado para o mercado americano”, disse.
De acordo com Fábio Queiroga, presidente do Comitê Executivo de Fruticultura (Coex), os prejuízos serão menores, pois as exportações de melão e melancia para os EUA representam cerca de 5% das vendas para a Europa. Mesmo assim, produtores estão receosos e preveem uma redução de 3% na área plantada.
25% da produção de sal pode parar
O presidente do Sindicato da Indústria de Sal (Siesal), Airton Torres, alertou para a perda de um quarto do mercado de sal do RN. “Se mantida, a tarifa inviabiliza as exportações para os EUA, com perda de até 500 mil toneladas/ano.”
Cadeia do petróleo e gás também em risco
Segundo Ubiratan Santos, da RedePetro, mesmo que os EUA não sejam os maiores compradores do petróleo potiguar, a cadeia de suprimentos será afetada na compra e venda de equipamentos.
Dólar pode subir, prevê economista
O economista Helder Cavalcanti, ex-presidente do Corecon-RN, prevê alta do dólar, encarecimento de alimentos e combustíveis e impacto direto no consumo e no emprego.
“É uma medida sem base econômica, de cunho político. Vai impactar toda a macroeconomia brasileira”, alertou.
Lideranças do agronegócio, comércio e indústria defendem o uso da diplomacia para reverter a taxação. Luiz Roberto Barcelos, da Abrafrutas, pediu “bom senso”. José Vieira, da Faern, falou em tarifas que podem chegar a 75% e cancelar contratos em curso.
Marcelo Queiroz, da Fecomércio-RN, teme reflexos no câmbio, inflação e juros. A CNI e a CNA reforçaram a necessidade de diálogo com os EUA.
Empregos em risco e queda no superávit
O secretário da Fazenda, Carlos Eduardo Xavier, disse que a medida pode “devastar” empregos em setores como sal e pescado, cujas exportações para os EUA chegam a 70%.
Já a Secretaria de Desenvolvimento Econômico destacou que o RN registrou superávit de US$ 16,4 milhões na balança comercial com os EUA entre janeiro e março deste ano, o que pode ser revertido com a nova tarifa.