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Tarifaço de Trump: Lula reage, dólar dispara, inflação sobe

A decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de impor uma tarifa de 50% sobre todos os produtos exportados do Brasil aos EUA caiu como uma bomba no Palácio do Planalto e nos mercados. A nova taxação entra em vigor a partir de 1º de agosto e afeta diretamente setores estratégicos da economia brasileira.

Diante do impacto, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciou pelo menos três frentes de reação ao chamado “tarifaço”.

As três reações do governo Lula

  1. Diálogo com setores afetados
    Lula determinou a realização de reuniões com setores mais atingidos pela medida, como forma de construir uma “linha de proteção” econômica e política. A iniciativa mira também em aproximar o governo de setores tradicionalmente críticos, como o agronegócio.
  2. Negociação internacional
    Lula escalou os ministros Fernando Haddad (Fazenda), Mauro Vieira (Itamaraty) e o vice-presidente Geraldo Alckmin (Indústria e Comércio) para iniciar conversas diretas com representantes do governo Trump.
  3. Acionar a OMC
    Há, dentro do governo, quem defenda levar o caso à Organização Mundial do Comércio (OMC). O argumento seria de que a tarifa imposta não tem justificativa técnica e viola princípios de concorrência justa no comércio internacional.

Exploração política e embate com Bolsonaro

Além das ações práticas, o Planalto também busca capitalizar politicamente o episódio. Ministros aliados de Lula, como Gleisi Hoffmann e Sidônio Palmeira, associaram a retaliação de Trump ao ex-presidente Jair Bolsonaro, dizendo que, enquanto “Lula quer taxar os super ricos, Bolsonaro quer taxar o Brasil”.

Aliados de Bolsonaro reagiram, tentando transferir a culpa para Lula e até para o ministro do STF Alexandre de Moraes, mencionando os julgamentos ligados aos atos de 8 de janeiro como motivação política de Trump.

Mercado reage: dólar dispara e Bolsa cai

A tensão teve reflexo imediato nos mercados:

  • O dólar abriu em alta de 2,1%, sendo negociado a R$ 5,619 às 9h16 desta quinta (10).
  • No dia anterior, antes do anúncio, a moeda já havia subido 1,06%, cotada a R$ 5,503.
  • O Ibovespa fechou o último pregão em queda de 1,31%, aos 137,4 mil pontos.

O cenário acendeu o alerta entre economistas. Para o planejador financeiro Marcelo Bolzan, a medida pode gerar queda no PIB brasileiro, alta no dólar, aumento da inflação e nos juros futuros. O economista Danilo Igliori, da Nomad, alerta para uma possível onda de volatilidade nos mercados.

Inflação avança e estoura meta de 2025

Em meio à turbulência externa, o IBGE divulgou o IPCA de junho, com alta de 0,24%, acumulando inflação de 5,35% nos últimos 12 meses — acima do teto da meta do Banco Central para 2025, que é de 4,5%.

Com o descumprimento da meta contínua, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, terá que enviar uma carta aberta ao ministro da Fazenda, Fernando Haddad, explicando os motivos do estouro inflacionário.

Entenda a origem da tarifa de Trump contra o Brasil

A decisão de Trump, segundo comunicado oficial, vem como retaliação por “ataques insidiosos às eleições livres no Brasil”. Em carta enviada ao presidente Lula, o norte-americano voltou a criticar o julgamento de Jair Bolsonaro, acusado de tentativa de golpe em 2022.

Trump afirmou ainda que o Brasil “não está sendo bom para os EUA” e ameaçou impor tarifas ainda mais pesadas aos países do BRICS, caso não alinhem seus interesses aos dos EUA.

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