O cantor Toni Garrido, vocalista do Cidade Negra, resolveu revisitar um dos maiores clássicos do reggae brasileiro, e acabou entrando no olho do furacão das redes sociais. Durante o Altas Horas, no último fim de semana, ele apresentou uma nova versão da música “Girassol” e trocou um trecho emblemático da letra.
O verso original, de 1996, dizia:
“Já que pra ser homem tem que ter a grandeza de um menino, de um menino.”
Na nova leitura, Toni substituiu os termos masculinos por femininos:
“Já que pra ser homem tem que ter a grandeza de uma menina, de uma mulher.”
Segundo ele, a mudança veio de uma reflexão pessoal sobre o peso das palavras e a vontade de valorizar as mulheres. “A arte é viva. Achei bonito atualizar com carinho, sem apagar o passado”, explicou.
A atitude, claro, dividiu opiniões. Parte do público elogiou a iniciativa, dizendo que Toni apenas modernizou a canção com sensibilidade. Outros viram lacração desnecessária, um gesto de revisionismo que tenta “corrigir” algo que nunca esteve errado.
Nas redes, muitos lembraram que “Girassol” sempre foi uma música de mensagem positiva, símbolo de amor e empatia, e que talvez mexer em versos tão marcantes fosse como trocar o tempero de um prato que já é perfeito.
Toni respondeu com serenidade à repercussão. Disse que não pretende substituir a versão original e que cada um pode cantar do jeito que quiser. “Eu canto como sinto hoje. A arte é livre”, afirmou.
Lançada em 1996 no álbum Sobre Todas as Forças, “Girassol” marcou uma geração e ainda é um hino de leveza e otimismo. Agora, a canção também virou símbolo de um dilema contemporâneo: até onde vai a liberdade de reinterpretar sem reescrever o passado?
No fim das contas, seja com “menino” ou “menina”, o Girassol diminuiu o brilho e agora ilumina o debate sobre arte, linguagem e os limites da “lacração” cultural.