O que começou como uma promessa de sucesso e independência acabou se tornando um verdadeiro pesadelo para dezenas de brasileiras. Nesta terça-feira (15), a Polícia Federal deflagrou uma operação contra uma rede criminosa que traficava mulheres do Brasil para exploração sexual na Europa. Os alvos da quadrilha? Mulheres jovens, muitas com perfil de modelo, abordadas pelas redes sociais com propostas sedutoras: altos ganhos, vida confortável e uma chance de “recomeçar”.
Mas a realidade do outro lado do oceano era bem diferente.
Assim que desembarcavam, essas mulheres tinham passaportes retidos, eram submetidas a violência física, psicológica, ameaças constantes e obrigadas a trabalhar em condições degradantes, muitas vezes com jornadas exaustivas. Sem apoio, sem documentos e sem dinheiro, se tornavam prisioneiras de um esquema cruel, muitas vezes sem conseguir pedir ajuda.
A base da rede estava aqui mesmo, no Brasil. Segundo a PF, a estrutura criminosa operava a partir de Planaltina (DF) e tinha ramificações em São Paulo e na Bélgica, especialmente na província de Namur. Uma mulher, natural do DF, liderava a quadrilha, utilizando até parentes como telefonistas para marcar os “programas” das garotas que já estavam fora do país.
Essa rede, como revelou uma das vítimas que conseguiu voltar ao Brasil, funcionava como uma empresa do crime bem montada, com papéis definidos e lucros altíssimos — à custa da dor e da dignidade de outras mulheres.
“Elas não podiam sair, nem dizer não”
O relato da jovem que rompeu o silêncio foi essencial para desencadear a operação da PF. Segundo ela, os abusos começaram logo após a chegada à Europa. Sem documentos, sem dinheiro e sob constante vigilância, ela e outras mulheres não tinham liberdade nem sequer para recusar clientes. Muitas foram submetidas a sessões de abuso físico e emocional — enquanto seus algozes lucravam com cada minuto do sofrimento delas.
A PF cumpriu mandados de busca e apreensão no DF e em SP, além de uma prisão preventiva. Foram também bloqueados até R$ 6,6 milhões em bens e contas dos investigados e apreendidos passaportes para impedir fuga internacional. A operação ainda está em andamento e busca identificar mais envolvidos, inclusive fora do país.
A Polícia Federal reforça: denunciar é essencial. Muitas vezes, redes como essa se sustentam pelo silêncio das vítimas e pela falta de informação. Se você conhece alguém em situação de risco ou souber de algo semelhante, denuncie de forma anônima:
📞 Telefone: 194
🌐 Site: www.gov.br/pf