O Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul (TJRS) realiza, nesta terça-feira (26), um julgamento decisivo para o futuro dos quatro condenados pela tragédia da Boate Kiss, em Santa Maria, que deixou 242 mortos e mais de 600 feridos em janeiro de 2013. A sessão começou às 9h no Plenário Ministro Pedro Soares Muñoz, em Porto Alegre, e está sendo transmitida ao vivo pelo canal oficial do TJRS no YouTube.
Os empresários Elissandro Callegaro Spohr e Mauro Londero Hoffmann, além dos músicos Marcelo de Jesus dos Santos e Luciano Bonilha Leão, foram condenados por homicídio com dolo eventual no julgamento de 2021, recebendo penas que variam entre 18 e 22 anos de prisão. Todos seguem presos preventivamente.
O TJRS vai analisar o mérito dos recursos apresentados pelas defesas, que tentam reverter ou reduzir as condenações. Entre as possibilidades:
- Novo júri – se os desembargadores entenderem que a decisão dos jurados foi contrária às provas apresentadas.
- Manutenção das condenações – confirmando a sentença do júri de 2021.
- Redução das penas – caso o tribunal entenda que houve desproporcionalidade na fixação das punições.
Cada advogado de defesa terá 15 minutos para a sustentação oral. A expectativa é de que a sessão se estenda até o fim da tarde.
Relembre a tragédia
Na madrugada de 27 de janeiro de 2013, durante um show da banda Gurizada Fandangueira, um artefato pirotécnico aceso no palco atingiu a espuma que revestia o teto da boate. O material inflamável liberou gases tóxicos, provocando a morte da maioria das vítimas por asfixia.
O caso se tornou um dos mais marcantes do Judiciário brasileiro, não apenas pela dimensão da tragédia, mas também pela longa espera das famílias por justiça. Mais de uma década depois, a sensação de impunidade ainda paira, e cada decisão da Justiça reacende a dor de quem perdeu filhos, irmãos e amigos.