O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou nesta quarta-feira (30) uma ordem executiva que impõe uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros, medida que afeta diretamente o comércio exterior do Rio Grande do Norte. Dos dez produtos mais exportados pelo estado potiguar aos EUA em 2025, oito serão impactados pelo novo tarifaço. A medida começa a valer a partir do dia 6 de agosto.
Apenas castanha de caju e óleos de petróleo — os dois itens mais resilientes da pauta exportadora potiguar — ficaram de fora da taxação. Os demais, como peixes frescos, pedras ornamentais, produtos de confeitaria sem cacau, sal, açúcares, melões, mamões, produtos de origem animal e peixes congelados, serão sobretaxados em 50%.
Exportações em alta serão atingidas
Segundo levantamento da Federação das Indústrias do RN (Fiern), o estado exportou US$ 67,1 milhões para os EUA no primeiro semestre de 2025 — aumento de 120% em relação ao mesmo período de 2024 (US$ 30,5 milhões). Isso representa 15,3% de toda a pauta exportadora potiguar no período.
Com isso, o RN aparece como o quinto estado brasileiro mais impactado pelas novas tarifas americanas, atrás apenas de Ceará, Espírito Santo, Sergipe e São Paulo. No caso cearense, os EUA responderam por 51,9% das exportações no mesmo período.
Principais produtos afetados:
Entre os produtos mais impactados, estão:
- Peixes frescos ou refrigerados
- Outros peixes congelados (exceto filés)
- Melões, melancias e mamões frescos
- Produtos de confeitaria sem cacau
- Pedras de cantaria ou de construção
- Produtos de origem animal
- Sal e açúcares de cana ou beterraba
Juntos, os cinco itens mais exportados representaram US$ 54,7 milhões entre janeiro e junho, conforme dados da plataforma Comex Stat, vinculada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).
Impacto prático
Economistas e representantes do setor produtivo potiguar alertam que as tarifas podem derrubar as exportações para o principal parceiro comercial do estado, gerar perdas em empregos e contratos internacionais e pressionar a balança comercial regional.
A Fiern deve se reunir nos próximos dias com representantes do Ministério da Indústria e Comércio para discutir medidas emergenciais de compensação e redirecionamento de mercados para produtos atingidos pela taxação.
O governo brasileiro, por sua vez, classificou a medida como injustificável e agressiva, prometendo levar a questão a organismos multilaterais e acionar os mecanismos de defesa comercial da Organização Mundial do Comércio (OMC).
Fonte: Tribuna do Norte