Os Estados Unidos anunciaram a retirada das tarifas extras de 40% aplicadas a diversos produtos agrícolas brasileiros, medida assinada pelo presidente Donald Trump na quinta-feira (20). A decisão tem efeito retroativo a 13 de novembro e determina que os importadores americanos sejam reembolsados pelos valores já pagos desde então.
A suspensão atinge itens importantes da pauta exportadora brasileira, como café, carne bovina, frutas tropicais e outros produtos frescos que haviam sido diretamente impactados pelo tarifário imposto em julho. À época, o governo americano havia classificado o aumento das taxas como resposta a supostos prejuízos causados por políticas brasileiras ao setor produtivo dos EUA, decisão que elevou a tensão diplomática entre os países e reduziu o fluxo comercial.
A reversão ocorre após diálogo recente entre Trump e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que colocaram o tema na mesa de negociações no início de outubro. Desde então, empresas dos dois países pressionavam por uma solução, especialmente setores que dependem do comércio bilateral para manter competitividade e preços internos.
Segundo entidades brasileiras ligadas ao agronegócio, o alívio tarifário deve ter impacto imediato sobre cadeias exportadoras que vinham acumulando perdas desde agosto, período em que o Brasil registrou queda significativa nas vendas externas para os Estados Unidos. Para especialistas, a decisão pode marcar um recomeço na relação comercial, ainda que outros segmentos continuem sujeitos a taxas elevadas impostas na política de reciprocidade adotada por Trump.
Apesar do gesto, analistas avaliam que o Brasil ainda permanece sob escrutínio do governo americano e que novas rodadas de negociação serão necessárias para estabilizar de vez o ambiente comercial entre os dois países. A reabertura para alguns produtos agrícolas, porém, é vista como um sinal de distensão após meses de incerteza.