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RN registra 2º maior aumento de gastos do Brasil em 2026 e acende alerta sobre situação fiscal

O Rio Grande do Norte aparece como o segundo estado brasileiro com maior crescimento de despesas públicas em 2026, segundo levantamento da XP Investimentos. De janeiro a abril, os gastos do governo estadual avançaram 17,7% acima da inflação, enquanto as receitas cresceram apenas 5,3%, desconsiderando operações de crédito.

O percentual fica atrás apenas do Maranhão, onde as despesas aumentaram 21,4%. No entanto, naquele estado, a arrecadação apresentou crescimento maior, de 8,9%, reduzindo parte do impacto provocado pela expansão dos gastos.

A diferença entre o crescimento das despesas e das receitas no Rio Grande do Norte chama a atenção dos analistas. De acordo com a XP, o ritmo de aumento dos gastos é mais de três vezes superior ao avanço da arrecadação, cenário que contribui para o desgaste das contas públicas em um ano marcado por eleições estaduais e federais.

A preocupação também envolve a situação financeira do Estado. Dados do Relatório de Gestão Fiscal mostram que o RN iniciou 2026 com disponibilidade de caixa negativa superior a R$ 3 bilhões. Na prática, isso significa que os recursos disponíveis não eram suficientes para cobrir todas as despesas já empenhadas pelo governo ao final do ano passado.

Levantamento realizado pelo jornal O Estado de S. Paulo apontou que o Rio Grande do Norte apresentou o segundo pior resultado de caixa do país, ficando atrás apenas de Minas Gerais, que encerrou 2025 com saldo negativo de R$ 11,3 bilhões.

Responsável pelo estudo da XP, o economista Tiago Sbardelotto afirmou ao jornal O Globo que o caso potiguar é atualmente um dos mais preocupantes entre os estados brasileiros. Segundo ele, a combinação entre baixa disponibilidade de caixa e os resultados observados até abril exige atenção especial.

O levantamento projeta que os estados brasileiros devem encerrar 2026 com déficit fiscal conjunto de R$ 6 bilhões. Em 2025, o resultado havia sido positivo, com superávit de R$ 6,6 bilhões. A avaliação é de que anos eleitorais costumam estimular a ampliação dos gastos públicos quando existe espaço fiscal para isso.

Enquanto a média nacional aponta crescimento real de 6,5% nas despesas e de 3,3% nas receitas, o Rio Grande do Norte apresenta uma diferença significativamente maior entre esses indicadores.

Entre os fatores apontados para o aumento das despesas estaduais estão o uso de recursos acumulados em anos anteriores, a ampliação do acesso a operações de crédito e o adiamento de pagamentos de precatórios após mudanças na legislação federal.

Apesar das dificuldades apontadas no estudo, o Governo do Estado apresentou uma interpretação diferente dos números. Em nota, a Secretaria Estadual da Fazenda (Sefaz) afirmou que o levantamento da XP considera apenas o equilíbrio fiscal, enquanto a análise orçamentária possui alcance mais amplo.

Segundo a pasta, a Lei de Diretrizes Orçamentárias prevê para 2026 um déficit primário de R$ 1,479 bilhão. Até abril, o resultado acumulado era negativo em R$ 260 milhões, permanecendo dentro da meta estabelecida.

A secretaria também destacou que o Estado registrou superávit orçamentário de R$ 1,24 bilhão no primeiro quadrimestre do ano. De acordo com os dados oficiais, a receita total cresceu 21,11% no período, enquanto as despesas avançaram 17,61%.

Mesmo defendendo a situação fiscal do Estado, a própria Sefaz reconheceu desafios estruturais nas finanças públicas. Entre eles estão a baixa liquidez e o elevado comprometimento das receitas correntes com despesas correntes, índice que supera 95%.

Para enfrentar esse cenário, o governo afirma que vem adotando medidas como recuperação de créditos fiscais, controle de despesas e contingenciamento orçamentário.

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