Uma operação da Polícia Civil realizada nesta terça-feira (9) resultou na prisão de pelo menos cinco pessoas e no cumprimento de 14 mandados de busca e apreensão no Rio Grande do Norte. A ação teve como alvo uma organização criminosa suspeita de aplicar o chamado “golpe do falso executivo”, que causou prejuízo de quase R$ 200 mil a uma empresa do Rio Grande do Sul.
Batizada de Operação Interface, a investigação foi coordenada pela 3ª Delegacia de Polícia de Canoas (RS) e contou com apoio das polícias civis do Rio Grande do Norte e de Mato Grosso, além do Ministério da Justiça e Segurança Pública.
No território potiguar, os mandados foram cumpridos em Natal, Parnamirim e São Gonçalo do Amarante. Ao todo, a Justiça expediu 60 mandados de busca e apreensão e 27 mandados de prisão nos dois estados investigados. Os nomes dos presos não foram divulgados.
Segundo a Polícia Civil, o grupo criminoso utilizava perfis falsos em aplicativos de mensagens para se passar por empresários e executivos. Com fotos e informações reais das vítimas, os suspeitos enganavam funcionários do setor financeiro de empresas e solicitavam transferências bancárias sob o pretexto de pagamentos urgentes.
A fraude investigada aconteceu em fevereiro de 2025. Na ocasião, a gerente financeira de uma indústria localizada em Canoas recebeu mensagens de um número que exibia a foto do presidente da empresa. Como o executivo costumava solicitar pagamentos por aplicativos enquanto estava em viagem, a funcionária não desconfiou da abordagem.
Convencida de que conversava com o diretor da empresa, ela realizou diversas transferências para contas indicadas pelos criminosos. Apenas dois dias depois percebeu que os valores eram incomuns e que o número utilizado não pertencia ao verdadeiro presidente da companhia.
O prejuízo causado pela fraude foi estimado em R$ 193,6 mil.
As investigações apontaram que a execução do golpe partiu de Cuiabá, no Mato Grosso. Para dificultar o rastreamento do dinheiro, os criminosos utilizavam uma estratégia conhecida como pulverização financeira, distribuindo rapidamente os valores para dezenas de contas bancárias em diferentes estados.
De acordo com a polícia, a organização possuía uma estrutura hierárquica bem definida. Havia integrantes responsáveis pelo planejamento e execução das fraudes, coordenadores que gerenciavam a movimentação dos recursos, recrutadores encarregados de conseguir contas bancárias de terceiros e pessoas que cediam suas contas para receber os valores obtidos ilegalmente.
Os investigados poderão responder por estelionato qualificado por fraude eletrônica, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Somadas, as penas máximas previstas para os crimes ultrapassam 26 anos de prisão.