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SUS avalia inclusão do Wegovy enquanto estados ampliam uso de canetas para tratamento da obesidade

O uso de medicamentos à base de semaglutida no tratamento da obesidade pode ganhar espaço na rede pública de saúde. O Ministério da Saúde analisa um novo pedido para incorporar o Wegovy ao Sistema Único de Saúde (SUS), enquanto estados e municípios já desenvolvem programas próprios voltados a pacientes com obesidade e diabetes.

A proposta em análise foi apresentada pela farmacêutica Novo Nordisk no início de maio e tem um público-alvo mais restrito do que o pedido anterior, rejeitado em 2025 devido ao elevado impacto financeiro estimado para os cofres públicos.

Nova proposta reduz público e amplia desconto

Desta vez, a empresa solicita que o medicamento seja destinado exclusivamente a pacientes com obesidade que já sofreram infarto, grupo considerado de maior risco cardiovascular.

Além da mudança no perfil dos beneficiários, a farmacêutica aumentou significativamente o desconto oferecido ao governo. A redução no preço passou de 30% para 59% sobre o valor de tabela.

Segundo a empresa, cerca de 38,6 mil pacientes poderão ser contemplados, com um custo anual estimado entre R$ 500 milhões e R$ 650 milhões.

Os valores propostos para fornecimento ao SUS variam entre R$ 396,88 e R$ 764,64, dependendo da dosagem do medicamento.

Conitec terá até nove meses para decidir

A análise ficará a cargo da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec), responsável por avaliar a eficácia clínica, a segurança e o impacto financeiro de novos tratamentos antes de sua inclusão na rede pública.

O processo poderá durar até 270 dias, considerando o prazo inicial de 180 dias e uma possível prorrogação de mais 90 dias.

Durante esse período, também será realizada consulta pública, permitindo que especialistas, entidades e a população apresentem contribuições. Ao final da análise, caberá ao Ministério da Saúde decidir sobre a incorporação do medicamento.

Estados e municípios já iniciam programas próprios

Enquanto a decisão nacional não é concluída, alguns governos locais avançam com iniciativas próprias para disponibilizar medicamentos da mesma classe terapêutica.

A Prefeitura do Rio de Janeiro anunciou a maior compra pública do Wegovy no país. O investimento previsto chega a R$ 16 milhões para abastecer a rede municipal durante um ano, com expectativa de atender aproximadamente três mil pacientes anualmente.

O programa faz parte de uma proposta apresentada ainda durante a campanha eleitoral do prefeito Eduardo Paes.

Protocolos passam por atualização

Além do Rio de Janeiro, estados como Goiás e o Distrito Federal também atualizaram seus protocolos para substituir medicamentos à base de liraglutida pela semaglutida.

Em Goiás, por exemplo, o tratamento é destinado a adolescentes e jovens entre 12 e 21 anos diagnosticados com obesidade.

O protocolo prevê acompanhamento por uma equipe multiprofissional e exige que os pacientes mantenham práticas de atividade física e adotem hábitos alimentares saudáveis durante todo o tratamento.

Medicamento ainda depende de aprovação nacional

Apesar da expansão dos programas regionais, o Wegovy ainda não integra a lista de medicamentos disponibilizados pelo SUS em âmbito nacional.

A expectativa é que a nova proposta, com público mais restrito e menor impacto financeiro, aumente as chances de aprovação, embora a decisão final dependa da avaliação técnica da Conitec e do Ministério da Saúde.

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