A eleição para governador do Rio Grande do Norte ainda está longe, mas os bastidores da política potiguar já estão pegando fogo. Três nomes despontam como os principais pré-candidatos: Allyson Bezerra, Rogério Marinho e Cadu Xavier. Cada um carrega sua própria história, aliados estratégicos e estilos diferentes de fazer política.
Os grupos estão se organizando, formando alianças e testando caminhos. E por mais que muita coisa ainda vá mudar até lá, o cenário começa a se desenhar.
Allyson Bezerra: o prefeito jovem que quer conquistar o estado

Com apenas 32 anos, Allyson Bezerra é o mais jovem entre os pré-candidatos e também o que mais cresceu nos últimos anos. Natural de Mossoró, é engenheiro civil e começou sua trajetória como sindicalista. Foi deputado estadual e, em 2020, venceu a eleição para prefeito da sua cidade natal. Em 2024, se reelegeu com uma vitória impressionante: 78% dos votos.
Nos bastidores, conversa com o ex-prefeito de Natal Álvaro Dias (Republicanos), e há quem aposte numa chapa com os dois. Já o União Brasil no RN, comandado por José Agripino, diz que ainda é cedo para fechar qualquer acordo.
Quem está com Allyson (por enquanto): União Brasil, Zenaide Maia (PSD), articulações com o Republicanos.
Ponto forte: Allyson é carismático, tem boa presença nas redes sociais e aparece como um nome novo e popular na política potiguar. Foi reeleito com quase 80% dos votos em Mossoró, o que mostra força eleitoral.
Ponto polêmico: Sua juventude e rápida ascensão política levantam dúvidas sobre preparo para administrar um estado inteiro. Com apenas 34 anos em 2026, ele será o mais jovem candidato ao governo o que pode ser visto com bons olhos por quem quer renovação, mas como risco por eleitores mais conservadores.
Além disso, seu rompimento com outros grupos da oposição, como o de Rogério Marinho, pode dificultar uma frente ampla contra o PT. Há também quem critique um estilo personalista em sua gestão e alianças pontuais, como com a senadora Zenaide Maia, que nem sempre tem bom trânsito entre os setores conservadores.
Rogério Marinho: o veterano da política e aposta da direita

Rogério Marinho já é um velho conhecido da política potiguar. Economista, foi vereador, deputado, secretário estadual e ministro no governo Bolsonaro. Em 2022, se elegeu senador pelo PL, consolidando sua liderança na direita local.
Agora, trabalha para se tornar o nome forte da oposição. E tem apostado em uma aliança sólida com dois aliados estratégicos: o prefeito de Natal, Paulinho Freire (União Brasil), e o senador Styvenson Valentim (PSDB). A ideia é que os três estejam juntos em uma mesma chapa e há até um acordo: quem for candidato a governador, os outros ficam na composição majoritária.
Rogério já deixou claro que não pretende caminhar ao lado de Allyson Bezerra nem de Álvaro Dias. Sua aposta é num bloco mais ideológico, mais alinhado ao bolsonarismo.
Quem está com Marinho: PL, Paulinho Freire (União Brasil), Styvenson Valentim (PSDB) e toda a base bolsonarista do estado.
Ponto forte: Rogério tem uma trajetória consolidada na política, tanto no RN quanto em Brasília. Já foi deputado, secretário, ministro e hoje é senador. Tem base sólida entre empresários, agronegócio e o eleitorado de direita. É considerado articulador habilidoso e conhece bem a máquina pública.
Ponto polêmico: Rogério é frequentemente descrito como “frio” ou “antipático” no trato político e com o público, algo que pode pesar em uma campanha que exige empatia e conexão com a população.
A rejeição pessoal também é um obstáculo. Em várias pesquisas, Rogério costuma aparecer entre os políticos com maior taxa de rejeição no estado. Internamente, há ruídos com outros nomes da oposição, como Álvaro Dias, o que pode enfraquecer seu palanque.
Cadu Xavier: o nome de Fátima, de Lula e do governo

Discreto, técnico e de confiança da governadora Fátima Bezerra. Assim é visto Carlos Eduardo “Cadu” Xavier, atual secretário de Fazenda do RN e o nome escolhido pelo PT para disputar o governo em 2026.
Engenheiro civil de formação, Cadu nunca foi candidato antes. Mas sua atuação nos bastidores do governo o levou a conquistar a confiança da cúpula petista, inclusive de Lula, que já deu o aval pessoalmente. A pré-candidatura de Cadu só se confirmou depois que o vice-governador Walter Alves (MDB) abriu mão da disputa.
Agora, o desafio é montar uma chapa forte. O nome da prefeita Marianna Almeida (PSD) chegou a ser sondado para compor como vice, o que abriria espaço para atrair parte do PSD e afastar Zenaide Maia da oposição.
Quem está com Cadu: PT, Lula, Fátima Bezerra, MDB (Walter Alves e Ezequiel Ferreira) e setores do PSD.
Ponto forte: Cadu Xavier é visto como um técnico eficiente e de confiança da governadora Fátima Bezerra. É discreto, de perfil técnico, e tem boa relação com setores do funcionalismo e da equipe econômica. Conta com o apoio direto de Lula, o que ainda é um grande trunfo eleitoral no RN.
Ponto polêmico: Seu principal desafio é carregar o peso da gestão Fátima Bezerra, que chega a 2026 bastante desgastada, especialmente nas áreas de segurança pública, infraestrutura e saúde. Cadu não tem carisma popular nem experiência em campanhas, nunca disputou uma eleição e é pouco conhecido fora dos bastidores.
Além disso, sua dependência da estrutura petista pode afastar eleitores de centro ou indecisos. Setores da oposição já o rotulam como “um novo Robinson Faria”, em referência ao ex-governador que não conseguiu se desvencilhar da crise administrativa herdada.
Ainda é cedo… e tudo pode mudar
A disputa está longe de ser decidida. Allyson aposta na força do interior e no discurso de renovação, mas precisa provar que está pronto para um salto estadual. Rogério carrega bagagem e alianças fortes, mas enfrenta dificuldades em se conectar com o eleitor comum. Já Cadu terá que mostrar que é mais do que um nome técnico do PT e provar que pode liderar um novo ciclo mesmo diante da herança pesada da gestão atual.
Muita coisa pode mudar até lá: alianças, vices, cenários nacionais. Mas uma coisa é certa, a corrida pelo Governo do RN em 2026 será marcada por contrastes, desafios pessoais e disputas por narrativas. E o eleitor potiguar terá uma escolha importante pela frente.