Um estudo publicado na revista científica Nature revelou que pacientes com quadros graves de Covid-19 podem apresentar a reativação de vírus que permaneciam inativos no organismo por anos. Segundo os pesquisadores, esse fenômeno pode estar relacionado ao agravamento da doença e ao surgimento da chamada Covid longa.
A pesquisa acompanhou mais de mil pacientes internados entre 2020 e o início de 2021. Os resultados mostraram que quase metade deles apresentou reativação de vírus já conhecidos, como o Epstein-Barr, o citomegalovírus, o herpes simples e os anelovírus.
Vírus podem permanecer “adormecidos” por anos
Os cientistas explicam que muitas dessas infecções são adquiridas ainda na infância ou adolescência. Após a infecção inicial, os vírus permanecem em estado de latência dentro das células e, em condições normais, são controlados pelo sistema imunológico.
Para entender o impacto da Covid-19, os pesquisadores analisaram amostras de sangue, secreções nasais e fluidos pulmonares dos pacientes durante a internação.
O estudo identificou que cada vírus apresenta um comportamento diferente. O Epstein-Barr e os anelovírus costumam ser reativados logo nos primeiros dias de internação. Já o citomegalovírus e o herpes simples tendem a reaparecer cerca de três semanas depois, principalmente nas vias respiratórias.
Outro dado que chamou a atenção foi que a reativação também ocorreu em pacientes sem doenças que comprometem o sistema imunológico.
Segundo a pesquisadora Esther Melamed, da Universidade do Texas, o intenso estresse provocado pela Covid-19 pode favorecer o despertar desses vírus, aumentando a resposta inflamatória do organismo e contribuindo para um quadro clínico mais complexo.
Relação com a Covid longa
Os participantes foram acompanhados durante um ano após a infecção. A equipe observou uma associação entre a reativação dos anelovírus e o desenvolvimento da Covid longa, condição caracterizada pela permanência de sintomas por meses ou até anos após a infecção.
Além disso, pacientes que apresentaram reativação viral registraram níveis mais elevados de inflamação, maior ativação das células de defesa e mais sinais de lesão celular em comparação com aqueles que não tiveram esse fenômeno.
Apesar dos resultados, os pesquisadores ressaltam que ainda não é possível afirmar que a reativação dos vírus seja a causa direta do agravamento da Covid-19 ou da Covid longa. Segundo os autores, esses vírus podem contribuir para a evolução da doença ou apenas indicar que o sistema imunológico está sob forte estresse durante a infecção.