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Hugo Motta nega acordo com bolsonaristas para votar anistia do 8 de Janeiro

Imagem: Bruno Spada/Câmara dos Deputados

O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), negou nesta quinta-feira (7/8) ter feito qualquer acordo com parlamentares da oposição bolsonarista para pautar o projeto de anistia aos envolvidos nos atos de 8 de Janeiro.

Na noite anterior, líderes de partidos como PL, Novo, PP, União Brasil e PSD chegaram a afirmar que havia um acordo com Motta, que incluiria também a votação do fim do foro privilegiado, em troca de encerrar a ocupação da mesa diretora do plenário.

A aliados e interlocutores, Hugo foi enfático ao dizer que não assumiu nenhum compromisso de colocar a pauta em votação. Segundo ele, a negociação foi apenas entre os líderes partidários, sem aval da presidência da Casa.

Parlamentares próximos a Motta relataram que ele não aceitou discutir nenhuma proposta enquanto não reassumisse a presidência da sessão. A retomada do controle do plenário ocorreu sob escolta de deputados do Centrão, após um dia de tensão.

A oposição bolsonarista ocupava fisicamente a mesa da presidência desde terça (6), em protesto pela falta de avanço na tramitação da proposta de anistia. Durante a ocupação, deputados fizeram lives e postagens nas redes sociais, e a deputada Júlia Zanatta (PL-SC) chegou a amamentar a filha de 4 meses na cadeira da presidência, em um ato simbólico que repercutiu nas redes.

Para tentar conter a crise, a Mesa Diretora da Câmara publicou um ato prevendo punições que poderiam chegar à suspensão do mandato por até seis meses, caso parlamentares impedissem ou atrapalhassem as atividades legislativas.

Havia ainda discussões sobre a possibilidade de cassação em caso de conflito físico com a Polícia Legislativa.

O ex-presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), atuou nos bastidores para ajudar Hugo Motta a conter o movimento. Lira chegou a se reunir com deputados do PL e outros aliados da oposição.

A avaliação dentro da presidência da Câmara é de que a ocupação só foi encerrada após a ameaça de sanções e a pressão institucional imposta pela própria Mesa Diretora.

No fim das contas, o último a deixar a cadeira da presidência foi Marcel Van Hattem (Novo-RS), que liberou o espaço para que Hugo pudesse abrir a sessão. Van Hattem foi candidato derrotado à presidência da Câmara na última eleição.

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