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RN tem mais de 33 mil pessoas na fila por cirurgia no SUS

Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil

O Rio Grande do Norte vive um drama silencioso na saúde pública: 33 mil potiguares aguardam por cirurgias eletivas no SUS. A fila vai desde procedimentos simples, como remoção de cistos e tumores de pele, até operações ortopédicas e vasculares de alto risco.

Apesar de avanços — só em 2024 foram cerca de 90 mil cirurgias realizadas, segundo a Secretaria de Estado da Saúde Pública (Sesap) —, o passivo continua crescendo. Em maio de 2023, eram 27 mil pessoas na lista; hoje, são 6 mil a mais.

Amputações por falta de tratamento

As filas mais críticas são para cirurgias vasculares e urológicas. Só na vascular, 207 pacientes aguardam. Entre janeiro e junho, o estado registrou 345 amputações, muitas ligadas a complicações do diabetes.
“Se não cuidarmos do paciente na atenção básica, ele chega ao hospital em estágio avançado da doença. Um diabético bem acompanhado poderia evitar a amputação”, alertou o secretário de Saúde, Alexandre Motta, durante audiência na Assembleia Legislativa.

O que mais se espera

Dados do Sistema Regula Cirurgia apontam os procedimentos com mais demanda:

  • Tratamento cirúrgico de varizes (bilateral): 2.439 pacientes
  • Exérese de tumores de pele/cistos/lipomas: 2.192
  • Colecistectomia (retirada da vesícula): 2.147
  • Histeroscopia diagnóstica: 1.445
  • Hernioplastia umbilical: 1.384
  • Postectomia: 1.209
  • Histerectomia total: 1.093

A espera prolongada causa dor, perda de mobilidade, afastamento do trabalho e, em muitos casos, agravamento do quadro clínico.

Gargalos e custos

O processo de regulação é complexo: o paciente precisa passar pela atenção básica, conseguir consulta com especialista e só então entrar na fila. A falta de exames, profissionais e vagas em hospitais trava ainda mais o fluxo.
Hoje, grande parte das cirurgias vasculares é feita no Hospital da Polícia e no Hospital Santa Catarina, mas as unidades têm limitações.

Em 2024, o RN gastou R$ 54 milhões com cirurgias eletivas. Para 2025, a previsão é de R$ 64,8 milhões. Mesmo assim, a presidente do Cosems/RN, Maria Eliza Garcia, reforça que dinheiro não basta. “É preciso integrar melhor estado e municípios, fortalecer a rede regional e, principalmente, a atenção primária. É lá que se evitam as doenças que depois vão parar na fila do centro cirúrgico”, afirmou.

Profissionais não querem o SUS

Outro entrave é a defasagem da tabela do SUS, que paga pouco pelos procedimentos mais complexos. Muitos médicos preferem atuar na rede privada ou em cooperativas.
“Temos homens vivendo com sondas, aguardando cirurgias que mudariam sua qualidade de vida. Mas os profissionais não querem operar pelo valor do SUS”, disse Maria Eliza.

O desafio

Mesmo com mutirões e incentivos federais, o RN ainda não conseguiu reduzir a fila. Em alguns casos, como as cirurgias ortopédicas, a demanda só cresce, puxada pelo aumento dos acidentes de moto.

“Sem planejamento e organização, o investimento se perde e a fila continua. Precisamos de coordenação do Estado para realocar recursos e atacar os gargalos”, concluiu a presidente do Cosems.

Fonte: Tribuna do Norte

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