O que seria o momento mais importante da carreira do árbitro somali Omar Abdulkadir Artan acabou se transformando em uma grande frustração. Selecionado pela Fifa para atuar na Copa do Mundo de 2026, que será realizada nos Estados Unidos, México e Canadá, ele teve a entrada nos Estados Unidos negada e ficou fora da competição.
Artan seria o primeiro árbitro da Somália a participar de um Mundial. Em entrevista ao jornal norte-americano The New York Times, ele revelou estar profundamente decepcionado com a decisão das autoridades americanas.
“Acho que eles têm um problema com o meu país”, afirmou.
Segundo o árbitro, a situação começou logo após seu desembarque em Miami, no último sábado (6). Ele foi encaminhado para uma sala de inspeção e permaneceu cerca de 11 horas sendo interrogado por agentes de imigração.
Mesmo com o apoio da embaixada da Somália, a decisão não foi revertida. Artan afirma que apresentou visto válido, documentos emitidos pela Fifa e todo o histórico de sua carreira profissional. Ainda assim, recebeu a negativa e foi colocado em um voo com destino a Istambul, na Turquia.
“Estou muito decepcionado. Sou apenas um árbitro tentando realizar o maior sonho da minha vida, que era participar da Copa do Mundo”, desabafou.
Reconhecido como um dos principais árbitros do continente africano, Artan foi eleito árbitro do ano de 2025 pela Confederação Africana de Futebol (CAF). Ele contou que se preparava há quatro anos para a competição, participando de cursos e treinamentos promovidos pela Fifa no Catar e nos Emirados Árabes Unidos.
O episódio acontece em meio às restrições de viagem impostas pelos Estados Unidos a cidadãos da Somália. Durante o processo de imigração, o árbitro relatou ter sido questionado sobre a situação política de seu país e também sobre o grupo extremista Al Shabab, que atua em regiões do território somali.
Sem autorização para entrar nos Estados Unidos, Omar Artan retornará a Mogadíscio, capital da Somália, e ficará fora do quadro de arbitragem da Copa do Mundo de 2026. Procurada pela imprensa, a Fifa ainda não se manifestou sobre o caso.