Design sem nome (5)

Tarifaço de Trump atinge com mais força as regiões Norte e Nordeste do Brasil

As regiões Norte e Nordeste do Brasil são as mais afetadas pela tarifa de 50% imposta pelo governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre uma ampla gama de produtos brasileiros. A medida entrou em vigor nesta quarta-feira (6) e já gera preocupação entre produtores e economistas.

O impacto foi identificado em um estudo conduzido pelo economista Flávio Ataliba, coordenador do Centro de Estudos para o Desenvolvimento do Nordeste da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre). Segundo a pesquisa, embora apenas 3,9% das exportações do Norte e 11,1% das do Nordeste tenham como destino os EUA, essas regiões sofrem mais com o tarifaço devido à baixa capacidade de absorção interna e à forte presença de pequenos produtores e cooperativas.

Entre os exemplos citados estão o mel natural exportado pelo Piauí e as frutas frescas embarcadas por Pernambuco e Bahia — todos agora prejudicados pela alta tributação.

No Nordeste, o Ceará foi o estado com maior volume de exportações para os Estados Unidos em 2024, com 44,9% de sua pauta destinada ao país. Os principais produtos exportados foram pescados, calçados, artigos de couro, ferro fundido e aço.

Em seguida, aparecem a Paraíba (21,64%), que envia açúcar, calçados e couro, e o Sergipe (17,1%), com destaque para sucos, resinas e óleos vegetais.

Já o Sudeste, responsável por 71% das exportações brasileiras aos EUA, foi menos atingido pela medida. Isso se deve à maior diversidade da pauta exportadora, que inclui aeronaves e petróleo — itens isentos do tarifaço. O mesmo vale para o Centro-Oeste, que exporta carnes e grãos, e para o Sul, onde o impacto é considerado médio.

O tarifaço

A nova alíquota eleva em 40% a tarifa sobre os já existentes 10%, totalizando 50% de imposto sobre importações brasileiras. A medida foi oficializada em 30 de julho por meio de uma ordem executiva, na qual o governo norte-americano classifica o Brasil como um risco à segurança nacional.

A decisão está respaldada pela Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional, de 1977, e inclui a declaração de emergência nacional voltada ao Brasil.

Apesar da rigidez da medida, alguns produtos foram poupados da tarifa, como suco e polpa de laranja, minérios de ferro, combustíveis e artigos de aeronaves — o que beneficia empresas como a Embraer. A lista de exceções conta com quase 700 itens.

No entanto, produtos de grande peso na balança comercial brasileira com os EUA, como carne, café e frutas tropicais, foram mantidos na taxação e tendem a sofrer impacto direto nas exportações.

Diante do cenário, o governo Lula já acionou a Organização Mundial do Comércio (OMC) contra a decisão de Washington e articula medidas diplomáticas para reverter ou mitigar os efeitos da tarifa.

A escalada tarifária aprofunda tensões comerciais entre os dois países e pode trazer consequências econômicas significativas para regiões dependentes das exportações de produtos agrícolas e de baixo valor agregado.

Compartilhe esse texto nas suas redes sociais: