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Empresa investigada no caso Vai de Bet é apontada pelos EUA por ligação com o PCC e esquema de lavagem de dinheiro

Uma das empresas investigadas no escândalo envolvendo o contrato de patrocínio da Vai de Bet com o Corinthians passou a integrar a lista de sanções do Departamento do Tesouro dos Estados Unidos por suspeita de participação em um esquema internacional de lavagem de dinheiro ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC).

A Victory Trading foi citada pelas autoridades americanas como parte da estrutura financeira utilizada para movimentar recursos ilícitos da organização criminosa. No comunicado, o governo dos Estados Unidos faz referência à prisão de Victor Henrique de Oliveira Shimada, proprietário da empresa, realizada pela Polícia Federal em janeiro de 2025. Segundo o documento, ele teria participado de um esquema de lavagem de dinheiro envolvendo um clube de futebol brasileiro por meio de um contrato fraudulento de patrocínio. O empresário foi colocado em liberdade cerca de duas semanas após a prisão.

Embora o Corinthians não seja citado nominalmente pelas autoridades americanas, a investigação mencionada coincide com o caso do contrato firmado entre o clube paulista e a casa de apostas Vai de Bet, alvo de apurações conduzidas pela Polícia Civil de São Paulo. Paralelamente, a Polícia Federal e órgãos internacionais também acompanham o caso devido ao possível caráter transnacional das operações financeiras investigadas.

As investigações tiveram impulso após as informações prestadas por Vinícius Gritzbach, delator que foi morto em novembro de 2024 no Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos. Conforme as apurações, a Victory Trading teria atuado como empresa intermediária em uma rede criada para dificultar o rastreamento da origem e do destino dos recursos.

Segundo o Departamento do Tesouro dos Estados Unidos, o esquema de lavagem operava principalmente entre o estado da Flórida e São Paulo. Em janeiro deste ano, o FBI prendeu seis pessoas suspeitas de integrar o grupo que atuava em território americano. As autoridades afirmam que a estrutura era liderada por Victor Shimada e por Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira, também incluída na lista de sanções.

O governo americano afirma que Shimada exercia papel estratégico na conexão entre integrantes do PCC instalados na Flórida e traficantes internacionais, sendo responsável por movimentar mais de US$ 30 milhões provenientes de atividades ilícitas. De acordo com as autoridades, parte dessas operações utilizava criptomoedas para transferir recursos ao Brasil em benefício da organização criminosa.

O caso remete ao contrato firmado pelo Corinthians com a Vai de Bet em janeiro de 2024, avaliado em R$ 370 milhões por três temporadas. Durante as investigações, foi identificado que cerca de R$ 25 milhões teriam sido destinados a uma empresa intermediária, dando início a uma sequência de transferências entre diversas companhias até chegar à UJ Football, empresa mencionada por Gritzbach em sua delação.

Além de Victor Shimada, as sanções dos Estados Unidos atingem Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira, apontada como responsável por funções logísticas e pela intermediação na movimentação de grandes quantias em dinheiro. Também foram incluídas na lista três empresas brasileiras e uma empresa portuguesa supostamente ligadas à mesma rede de lavagem de dinheiro.

Com a medida, todos os bens e ativos dos sancionados em território americano ficam bloqueados. Além disso, cidadãos e empresas dos Estados Unidos estão proibidos de realizar negócios com os envolvidos, enquanto instituições financeiras estrangeiras que mantiverem transações com os alvos poderão ser submetidas a sanções adicionais.

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