Motoentregadores realizaram um protesto na noite de quinta-feira, dia 9, em Natal, motivados pela morte de um colega que aguardou por mais de uma hora pelo atendimento de uma ambulância. A mobilização teve início na Avenida Hermes da Fonseca e seguiu pela Salgado Filho até a BR-101, terminando no cruzamento das avenidas Engenheiro Roberto Freire e Ayrton Senna, local onde ocorreu o acidente.
A manifestação impactou o trânsito em diferentes pontos da Zona Sul, com lentidão e registros de congestionamento, sobretudo na BR-101. No local do ato, os participantes ocuparam a faixa de pedestres e bloquearam parte das pistas no sentido de Ponta Negra, mantendo apenas uma via liberada para a circulação de veículos.
Amigos, colegas de trabalho e familiares da vítima participaram do protesto, que também chamou atenção para problemas no sistema de atendimento de urgência. Dados do Samu apontam que, apenas em março, cerca de 400 macas ficaram retidas em unidades de saúde da capital.
Acidente e demora no atendimento marcaram caso que gerou revolta
O motoentregador José Richardson Alves da Silva, de 27 anos, morreu após um acidente registrado na noite da terça-feira, dia 7, em um dos cruzamentos mais movimentados da Zona Sul de Natal, entre as avenidas Engenheiro Roberto Freire e Ayrton Senna, no bairro Capim Macio.
De acordo com o Comando de Policiamento Rodoviário Estadual, o motociclista trafegava no sentido BR-101 em direção a Ponta Negra quando tentou realizar uma ultrapassagem pela direita. Durante a manobra, perdeu o controle da moto ao tentar evitar a colisão com um carro e acabou atingindo uma mureta.
Mesmo ferido, ele permaneceu consciente por algum tempo. Testemunhas relataram que o jovem conversou com pessoas que estavam no local, forneceu informações pessoais e chegou a avisar que não conseguiria concluir a entrega que fazia naquele momento.
Equipes policiais foram acionadas e solicitaram atendimento médico, mas a ambulância demorou mais de uma hora para chegar. O acidente ocorreu por volta das 20h30, enquanto o socorro só teria chegado próximo das 21h50. Ao chegar, a equipe constatou o óbito.
Segundo relatos, o atraso estaria relacionado à retenção de ambulâncias em unidades de saúde da Grande Natal, como o Hospital Walfredo Gurgel. O motoentregador deixou três filhos e a esposa grávida.
Órgãos de saúde apresentam versões diferentes sobre situação do atendimento
A Secretaria Estadual de Saúde Pública informou que o Hospital Walfredo Gurgel não enfrentava superlotação no momento do acidente. Conforme a pasta, havia apenas quatro macas retidas na unidade, número considerado dentro da normalidade.
Já a Secretaria Municipal de Saúde afirmou que todas as ambulâncias do Samu Natal estavam ocupadas com outras ocorrências ou impossibilitadas de atuar devido à retenção de equipamentos em hospitais que atendem casos de urgência.
Em nota, o órgão destacou que a retenção de macas é um problema antigo no estado, agravado pelo aumento no número de acidentes, especialmente envolvendo motociclistas. A secretaria também lamentou a morte e afirmou que as equipes trabalham para garantir o atendimento com a maior rapidez possível.
Fonte: G1RN